Há pouco, durante uma breve conversa, um amigo que recentemente conheci alegou-me, após certas equivocadas impressões minhas sobre determinado assunto, que tanto eu como ele encontrávamos demasiadamente "contaminados" pelo sistema atual, de uma forma geral, o qual ele chamou de "Babilônia". Esta sua alegação eu jamais poderia contestar, porém, pareceu-me que a única resposta que o poderia ser dada era a de que "Se é humanamente impossível se molhar quando se está dentro d'água, a menos que se seja Jesus", afinal de contas, estamos constantemente expostos às influências e emanações do meio em que vivemos. Negar a veracidade disto, ou alegar de que se é necessário "transcender" às influências de seu mundo externo, me parece não menos injustiça do que egoísmo. Injustiça sim, pois após todo o complexo, árduo espetacular trabalho não somente do Deus como do Cosmos que nos envolve para chegar até o presente refinamento de perfeição existencial que facilmente podemos observar no mundo natural ao nosso redor, iríamos nós, ínfimas criaturas perante toda a grandeza celeste, querer subjulgar os mais diferentes propósitos, relações e definições que nos rodeiam em nosso mundo exterior, originadas da própria lógica do universo, para querer estabelecer nossos próprios conceitos e idéias sobre o que a existência é ou o deveria de ser? Ainda além de injustiça, devido ao crime de se ignorar a perfeição divina, comete-se também a mais infame e arrogante pretensão ao querer sobrepormo-nos à própria criação.
Noutro caso, ao se querer alegar o traço de caminhos individuais para a suposta iluminação, deixa-se de ser pretenso para se tornar arrogante. Pois, tal como dizia o último Mahatma, "Trata-se de extremamente difícil que um homem evolua enquanto os outros ao seu lado estão sofrendo". Isso, creio, deva-se ao fato de ser fazer parte não somente de um único grande mar de energia, assim como nos diz a física, como também de uma única grande cadeia espaço-temporal de ação e reação, aonde todas as ações estão sujeitas diretamente ao efeito casual de outras ações a sua volta. Compara-se, assim, quem o faz àquela pessoa que aceita que haja desgraça em sua volta contanto que ela esteja indo bem. Esse, creio, é o dom que nos dão nossos olhos e ouvidos, para podermos ter a faculdade de discernimento entre justo e injusto; pelo benefício de ver, assumimos a responsabilidade de o utilizar para aplicar a justiça; faz-se assim valer a regra de que toda liberdade ou benefício traz consigo também uma responsabilidade. Mascarar ou ignorar as conclusões e as impressões deste senso seria o mesmo que querer tapar ou subjulgar nosso próprio espírito, bem como seu desenvolvimento. Digo isto pois não creio que se aprende a ser justo se não se praticar a justiça; alegar seu contrário seria o mesmo que dizer que se aprende com os livros fechados sob os braços, imaginando-se o que se deve haver escrito dentro deles.
Porém, como não somente de admoestações trata-se esta singela rapsódia, passemos a parte mais branda.
Aos espíritos inquietos que após começarem a verem a verdade sobre as causas dos atos e fatos ao seu redor, passam a se martirizar-se por estarem ainda envolvidos naquelas lamentáveis e as vezes repugnantes circunstâncias, também valhe esta mesma observação do título; seria anti-natural que não se fizessem ainda afetados pelas tantas e tão fortes influências que são emanadas do meio em que si vive. Contanto, apesar de possível breve explanação momentânea, esta sentença não se faz valer infinitamente, pois continuar a viver sob determinadas circunstâncias, passando a tratar suas sujeições com normalidade, é sujeita-se a expor cada vez mais profundamente a essas emanações.
Não se deve condenar por ainda estar sob estas ou aquelas circunstâncias, pois como o creio se é natural ser afetado pelo meio em que se vive. Contudo, não se deve também deixar-se acostumar a isto, visto que seria subjulgar a si próprio. Sendo única a opção de que se busque deixar então de viver sob determinadas influências, e que ainda sim não de deixe de combatê-la, ou de ajudar que as demais pessoas também deixar se viver sob seu prejuízo, caso contrário tornaríamos a mesma sentença do egoísmo dita anteriormente.
Caso, tal com diz o título, você seja Jesus, as coisas são diferentes.
Blog de JuniorExci
... os pedaços da minha loucura...
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Das pessoas que opinam acerca do que não conhecem
Este privilegiado, porém nem um pouco exclusivo grupo merece de fato nossa atenção. Afinal, creio que grande maioria das opiniões que existem atualmente no mundo desapareceriam caso as pessoas decidissem opinar apenas sobre aquilo que conhecem, ou que ao menos lhe diga respeito.
Digo isto, pois não se fazem escassas as frases, opiniões, conclusões e depoimentos existentes sobre os mais variados assuntos e temas, que são, na maioria das vezes, expostos e elaborados por pessoas sem o mínimo conhecimento sobre aquilo que opinam.
Pior que as opiniões elaboradas e expostas em si, obviamente é o infelizmente tão bem aceito medíocre costume de se aceitar que as pessoas tirem, sustentem e divulgam opiniões baseadas em impressões primárias e poucas experimentações dos assuntos e fatos a que se referem.
Negligenciarei agora meu apelo ao romantismo para poder dar um breve exemplo sobre essa questão. Recordo-me de uma conversa, em que foi dita a frase "amar não é fácil", por certa pessoa que conheço. Onde se vê claramente a classificação da ação de amar como uma coisa difícil. Bem, logicamente se supõe que para tecer esta sentença, seu criador haja amado amplamente, analisado seus amores, e após isto chegado a derradeira conclusão de que amar seria algo difícil. Claro, se fosse assim, não somente como analisada, esta opinião deveria ser também respeitada; ainda sim, que não tida como verdade absoluta, pois não chega a verdade nem mesmo através de todo o pragmatismo do método empírico de análise. Afinal, mesmo que algo aconteça por mil vezes seguidas, nesse mesmo número de testes, não se pode alegar que aquilo não poderá não ocorre numa milésima primeira tentativa - ao contrário, pode-se crer que assim o será, porém isto é assunto para outra hora.
Porém, ao contrário de a sustentar em um número de testes razoável, seu autor justamente a apoiava na dificuldade que ele próprio havia enfrentado para realizar os testes; ou seja, na dificuldade que havia encontrado para amar as pessoas. Logo o sugeri então que mudasse o conteúdo de sua sentença para "testar o amor não é fácil", ou "conseguir amar não é fácil"; o que mudaria completamente a impressão por ela causada sobre o espírito de qualquer ser que a lê-se ou ouvisse. Disse ele então de que não se tratava disso, mas sim, pois ele havia amado pessoas na vida; o problema estava no fato de que estas pessoas as quais havia amado haviam lhe machucado ou contrariado. Questionei-o então se ele haveria amado então por diversas vezes, sendo então em sua maioria contrariado. Disse-me então que não, pois havia amado poucas pessoas, porém, destas poucas, grande parte o haviam contrariado.
Ainda sim, não consegui concordar com a elaboração de sua sentença, já que se poucos testes haviam sido feitos, não se podia tirar uma conclusão por tão limitada amostragem. Assemelha-se a isso quem classifica algo baseado em poucas experiências com aquilo que foi classificado. É quase o mesmo que se dizer que as aves não voam, conhecendo-se apenas a galinha, a perdiz e a codorna. Aconselhei-o então que novamente voltasse sua sentença para "provar o amor não é fácil", o que daria no mesmo das sugestões iniciais. O que também serviria caso ele me alegasse que o problema estaria no amar outras pessoas, diferentes daquelas que se ama.
Digo isto, pois não se fazem escassas as frases, opiniões, conclusões e depoimentos existentes sobre os mais variados assuntos e temas, que são, na maioria das vezes, expostos e elaborados por pessoas sem o mínimo conhecimento sobre aquilo que opinam.
Pior que as opiniões elaboradas e expostas em si, obviamente é o infelizmente tão bem aceito medíocre costume de se aceitar que as pessoas tirem, sustentem e divulgam opiniões baseadas em impressões primárias e poucas experimentações dos assuntos e fatos a que se referem.
Negligenciarei agora meu apelo ao romantismo para poder dar um breve exemplo sobre essa questão. Recordo-me de uma conversa, em que foi dita a frase "amar não é fácil", por certa pessoa que conheço. Onde se vê claramente a classificação da ação de amar como uma coisa difícil. Bem, logicamente se supõe que para tecer esta sentença, seu criador haja amado amplamente, analisado seus amores, e após isto chegado a derradeira conclusão de que amar seria algo difícil. Claro, se fosse assim, não somente como analisada, esta opinião deveria ser também respeitada; ainda sim, que não tida como verdade absoluta, pois não chega a verdade nem mesmo através de todo o pragmatismo do método empírico de análise. Afinal, mesmo que algo aconteça por mil vezes seguidas, nesse mesmo número de testes, não se pode alegar que aquilo não poderá não ocorre numa milésima primeira tentativa - ao contrário, pode-se crer que assim o será, porém isto é assunto para outra hora.
Porém, ao contrário de a sustentar em um número de testes razoável, seu autor justamente a apoiava na dificuldade que ele próprio havia enfrentado para realizar os testes; ou seja, na dificuldade que havia encontrado para amar as pessoas. Logo o sugeri então que mudasse o conteúdo de sua sentença para "testar o amor não é fácil", ou "conseguir amar não é fácil"; o que mudaria completamente a impressão por ela causada sobre o espírito de qualquer ser que a lê-se ou ouvisse. Disse ele então de que não se tratava disso, mas sim, pois ele havia amado pessoas na vida; o problema estava no fato de que estas pessoas as quais havia amado haviam lhe machucado ou contrariado. Questionei-o então se ele haveria amado então por diversas vezes, sendo então em sua maioria contrariado. Disse-me então que não, pois havia amado poucas pessoas, porém, destas poucas, grande parte o haviam contrariado.
Ainda sim, não consegui concordar com a elaboração de sua sentença, já que se poucos testes haviam sido feitos, não se podia tirar uma conclusão por tão limitada amostragem. Assemelha-se a isso quem classifica algo baseado em poucas experiências com aquilo que foi classificado. É quase o mesmo que se dizer que as aves não voam, conhecendo-se apenas a galinha, a perdiz e a codorna. Aconselhei-o então que novamente voltasse sua sentença para "provar o amor não é fácil", o que daria no mesmo das sugestões iniciais. O que também serviria caso ele me alegasse que o problema estaria no amar outras pessoas, diferentes daquelas que se ama.
Garantias
Não garanto nada; absolutamente nada. Não sei se seguirei as regras da gramática, da morfologia, da semântica, ou de qualquer outra porra assim. Tal como diz o nome: este é o meu Blog, então irei escrever nele simplesmente aquilo que me vier à cabeça, seja útil, aceitável, decente ou não.
Assim sendo, foda-se o resto.
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