segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Se é humanamente impossível não molhar-se quando dentro d'água, a menos que você seja Jesus

Há pouco, durante uma breve conversa, um amigo que recentemente conheci alegou-me, após certas equivocadas impressões minhas sobre determinado assunto, que tanto eu como ele encontrávamos demasiadamente "contaminados" pelo sistema atual, de uma forma geral, o qual ele chamou de "Babilônia". Esta sua alegação eu jamais poderia contestar, porém, pareceu-me que a única resposta que o poderia ser dada era a de que "Se é humanamente impossível se molhar quando se está dentro d'água, a menos que se seja Jesus", afinal de contas, estamos constantemente expostos às influências e emanações do meio em que vivemos. Negar a veracidade disto, ou alegar de que se é necessário "transcender" às influências de seu mundo externo, me parece não menos injustiça do que egoísmo. Injustiça sim, pois após todo o complexo, árduo espetacular trabalho não somente do Deus como do Cosmos que nos envolve para chegar até o presente refinamento de perfeição existencial que facilmente podemos observar no mundo natural ao nosso redor, iríamos nós, ínfimas criaturas perante toda a grandeza celeste, querer subjulgar os mais diferentes propósitos, relações e definições que nos rodeiam em nosso mundo exterior, originadas da própria lógica do universo, para querer estabelecer nossos próprios conceitos e idéias sobre o que a existência é ou o deveria de ser? Ainda além de injustiça, devido ao crime de se ignorar a perfeição divina, comete-se também a mais infame e arrogante pretensão ao querer sobrepormo-nos à própria criação.
Noutro caso, ao se querer alegar o traço de caminhos individuais para a suposta iluminação, deixa-se de ser pretenso para se tornar arrogante. Pois, tal como dizia o último Mahatma, "Trata-se de extremamente difícil que um homem evolua enquanto os outros ao seu lado estão sofrendo". Isso, creio, deva-se ao fato de ser fazer parte não somente de um único grande mar de energia, assim como nos diz a física, como também de uma única grande cadeia espaço-temporal de ação e reação, aonde todas as ações estão sujeitas diretamente ao efeito casual de outras ações a sua volta. Compara-se, assim, quem o faz àquela pessoa que aceita que haja desgraça em sua volta contanto que ela esteja indo bem. Esse, creio, é o dom que nos dão nossos olhos e ouvidos, para podermos ter a faculdade de discernimento entre justo e injusto; pelo benefício de ver, assumimos a responsabilidade de o utilizar para aplicar a justiça; faz-se assim valer a regra de que toda liberdade ou benefício traz consigo também uma responsabilidade. Mascarar ou ignorar as conclusões e as impressões deste senso seria o mesmo que querer tapar ou subjulgar nosso próprio espírito, bem como seu desenvolvimento. Digo isto pois não creio que se aprende a ser justo se não se praticar a justiça; alegar seu contrário seria o mesmo que dizer que se aprende com os livros fechados sob os braços, imaginando-se o que se deve haver escrito dentro deles.
Porém, como não somente de admoestações trata-se esta singela rapsódia, passemos a parte mais branda.
Aos espíritos inquietos que após começarem a verem a verdade sobre as causas dos atos e fatos ao seu redor, passam a se martirizar-se por estarem ainda envolvidos naquelas lamentáveis e as vezes repugnantes circunstâncias, também valhe esta mesma observação do título; seria anti-natural que não se fizessem ainda afetados pelas tantas e tão fortes influências que são emanadas do meio em que si vive. Contanto, apesar de possível breve explanação momentânea, esta sentença não se faz valer infinitamente, pois continuar a viver sob determinadas circunstâncias, passando a tratar suas sujeições com normalidade, é sujeita-se a expor cada vez mais profundamente a essas emanações.
Não se deve condenar por ainda estar sob estas ou aquelas circunstâncias, pois como o creio se é natural ser afetado pelo meio em que se vive. Contudo, não se deve também deixar-se acostumar a isto, visto que seria subjulgar a si próprio. Sendo única a opção de que se busque deixar então de viver sob determinadas influências, e que ainda sim não de deixe de combatê-la, ou de ajudar que as demais pessoas também deixar se viver sob seu prejuízo, caso contrário tornaríamos a mesma sentença do egoísmo dita anteriormente.
Caso, tal com diz o título, você seja Jesus, as coisas são diferentes.

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